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	<title>Twitter na visão da Semiótica</title>
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		<title>Twitter na visão da Semiótica</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Jun 2009 20:53:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lara R. , Marcela Gava e Marcela Morgado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Introdução            O Twitter é um site de troca de informações rápidas e curtas que vem ganhando espaço como nova forma de comunicação mundial. É cada vez mais usado pelo mundo todo, e de formas muito peculiares e diversas. O Twitter apresenta um formato de blog, mas suas mensagens assemelham-se às enviadas pelos telefones celulares, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=twitterpelasemiotica.wordpress.com&amp;blog=8339892&amp;post=20&amp;subd=twitterpelasemiotica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-19" title="twitter_logocpia" src="http://twitterpelasemiotica.files.wordpress.com/2009/06/twitter_logocpia2.jpg?w=490&#038;h=180" alt="twitter_logocpia" width="490" height="180" /></p>
<p align="center"><span style="text-decoration:underline;"><strong>Introdução</strong></span></p>
<p>           O Twitter é um site de troca de informações rápidas e curtas que vem ganhando espaço como nova forma de comunicação mundial. É cada vez mais usado pelo mundo todo, e de formas muito peculiares e diversas. O Twitter apresenta um formato de blog, mas suas mensagens assemelham-se às enviadas pelos telefones celulares, devido ao número reduzido de caracteres possíveis (no máximo 140 toques). Sua página inicial contém a frase: “O que você está fazendo agora?”, e dessa forma alguns usuários optavam por respondê-la em seus posts; afinal, essa era a intenção inicial dos criadores da nova ferramenta de rede.<br />
          Nosso trabalho consiste na análise da maneira como cada cultura se identifica com esse microblog e quais os impactos causados por essa identificação. Para tanto, utilizaremos a teoria semiótica, mais especificamente a corrente de análise da pragmática (que estuda o valor dos signos para os intérpretes, suas reações diante dos signos, as formas como são usados, etc.).<br />
        Objetivamos, ainda, descobrir os motivos que levam o Twitter a ser uma ferramenta de ampla utilização nos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, um meio de comunicação pouco utilizado no Brasil. Sendo assim, associaremos a estrutura fixa do Twitter às características específicas de cada uma dessas sociedades, a fim de descobrir o que leva às diferentes formas de interpretação e utilização de um mesmo conjunto de signos.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p align="center"><span style="text-decoration:underline;"><strong>Análise Semiótica</strong></span></p>
<p>            Partindo de um conceito básico da semiótica, o de signo, que pode ser definido como &#8220;<em>algo</em> que, sob certo aspecto ou de algum modo, representa <em>alguma coisa</em> para <em>alguém</em>&#8221; (Peirce, 1972:94), é possível perceber que algo só nos tem sentido a partir do momento em que ele nos revela uma função. Isso significa que é necessário acrescentar significado a alguma coisa, afim de que esta passe a ter sentido simbólico, ou funcional. Após o processo de identificação e simbolização, partimos para a interpretação, que pode ocorrer de três maneiras. A primeiridade é a categoria do sentido, da primeira impressão que temos de algo. A secundidade acontece com a análise do que está sendo visto, é o começo da interação. Por fim, a terceiridade é a categoria de inter-relação, ou seja, é a síntese dos outros dois fenômenos anteriores, que provocará no sentido total daquilo que antes só se percebia, é quando o indivíduo passa a utilizar o que um dia era apenas um símbolo.</p>
<p>            Podemos aplicar esses conceitos ao Twitter partindo do pressuposto de que o site se torna um signo, e que, assim, começa a representar um meio de comunicação a quem o utiliza, dando sentido ao que a pessoa escreve ou até mesmo à forma como ela monta sua home e à escolha de sua foto. A partir daí, algo que a priori não passava de um meio torna-se objeto de interesse e utilidade a alguns indivíduos.</p>
<p>            O que anteriormente falamos sobre o processo de identificação também se aplica ao Twitter, uma vez que quando nos deparamos com seu formato na tela o identificamos somente como um layout formado por poucas fotos e muitas mensagens curtas. Porém, quando começamos a ler o conteúdo e perceber que as mensagens são postadas, a maneira como elas são postadas e que a rede é feita através de seguidos e seguidores, estamos na categoria da secundidade. Ao escrever mensagens, procurar pessoas que nos interessam para seguir e montar a nosso maneira de utilização do microblog estamos interagindo com ele, ou seja, estamos na fase a terceiridade, que é quando dominamos o signo e o utilizamos.</p>
<div id="attachment_30" class="wp-caption aligncenter" style="width: 499px"><img class="size-full wp-image-30 " title="tas" src="http://twitterpelasemiotica.files.wordpress.com/2009/06/tas1.jpg?w=490" alt="O layout do Twitter de Marcelo Tas. Na coluna do lado direito está um mini perfil do usuário, abaixo a quantidade de seguidos e seguidos, logo depois os ícones dos seguidores. Ao centro nota-se os posts de no máximo 140 toques. E um pouco abaixo do logo do Twitter, há a uma pequena foto do usuário. "   /><p class="wp-caption-text">O layout do Twitter de Marcelo Tas, um dos mais seguidos do Brasil. Na coluna do lado direito está um mini perfil do usuário, abaixo a quantidade de seguidos e seguidores, por último, os pequenos ícones agrupados que são os seguidos. Ao centro nota-se os posts de no máximo 140 toques. E um pouco abaixo do logo do Twitter, há a uma pequena foto do usuário. </p></div>
<p>       Na teoria da Semiótica também existe o conceito de que o símbolo representa um objeto, que no caso é chamado de representante, e assim, existe o interpretante, é como se dá o efeito de quem o interpreta, como se fosse uma tríade:</p>
<p align="center"><em>Objeto&#8212;&#8212;&#8212;-representante&#8212;&#8212;&#8212;-interpretante</em></p>
<p style="text-align:left;">       Quando aplicamos isso no Twitter, é possível comparar o objeto com a comunicação em si, a troca de informação. O representante, no caso o site, nos possibilita a troca de conteúdos e com isso nos proporciona a comunicação através dele. O que leva ao interpretante, no caso os “twitteiros”, a finalidade, o efeito causado pelo representante. Resumindo, é como se o objeto em questão, a comunicação, realiza-se através do representante, o Twitter, que por esse motivo se torna o símbolo de comunicação, e é sentido pelo interpretante, quem utiliza esse meio para a finalidade de trocar informação.</p>
<p style="text-align:left;">          A análise pela semiótica nos faz dividir os signos em três tipos: ícone, índice e símbolo. O ícone é o signo que está associado por semelhança ao objeto e dessa forma, cria uma analogia, por exemplo, uma foto, a imagem é um ícone, pois ela representa algo através da semelhança física com o signo em questão.  O índice, como explicado pelo nome, indica algo, ou seja, dá indício de alguma coisa, sendo assim, um óculos nos dá a impressão de intelectualidade, esse indício pode ser resultado de herança cultural ou pessoal. Já o símbolo é definido por meio de convenção, algo que remete a uma definição geral, ou seja, quando imaginamos uma cadeira, não pensamos  numa cadeira em particular, mas em uma idéia geral de cadeira.</p>
<p>            Utilizando este conceito no Twitter, percebemos que é possível associar como ícone somente as fotos que cada um coloca de si, porque nada mais tem um valor de semelhança física no microblog. Já como índice, um exemplo seria o nome que especifica cada usuário, porque ele indica quem é a pessoa, empresa ou o que seja. Os símbolos são diversos no Twitter uma vez que é responsável, sempre, por designar alguma coisa, podemos apontar as palavras, os tipos de planos de fundo, a estrutura do site, e o maior de todos eles, o pássaro. O símbolo do pássaro nos faz associar diretamente com o conjunto dessa rede, ainda porque remete à idéia de velocidade e do famoso provérbio “Um passarinho me contou”. </p>
<div id="attachment_29" class="wp-caption aligncenter" style="width: 255px"><img class="size-full wp-image-29 " title="twitter4" src="http://twitterpelasemiotica.files.wordpress.com/2009/06/twitter4.jpg?w=490" alt="O pássaro da página inicial do Twitter"   /><p class="wp-caption-text">O pássaro que estampa a página inicial do Twitter.</p></div>
<div class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align:left;">
<p>          A imagem, na semiótica, tem um valor representativo, já que para Roland Barthes nos jornais a imagem é refém do texto. Barthes considera que a foto tem um valor representativo enorme, e por ela ser interpretada pelos leitores como uma prova irrefutável, a imagem ganha um valor superior ao do texto. É como se o texto afirmasse e explicasse o que é mostrado na foto. No Twitter, a teoria não se encaixa totalmente, pois nem sempre a imagem está atrelada ao texto, ou também podem ser imagens que são usadas de forma errônea, falsificando algo.</p>
<p>        Ao falarmos de imagem no microblog, isso nos remete às fotos dos perfis e aos layouts, pois essas são praticamente as únicas imagens encontradas no site, a não ser links que nos levam a outros sites e que nos permitam postar fotos. Se considerarmos que a foto do perfil é verdadeira e pessoal, ou seja, ela se representa a pessoa que escreve, podemos dizer que o texto se torna refém da imagem se olharmos pelo ângulo de que esta pessoa pode vir a escrever desde sua rotina até alguma opinião pessoal, o que  normalmente acontece. Agora, se pensarmos sobre o lado de que uma foto pessoal abre possibilidades de se postar sobre qualquer assunto e a qualquer momento, mostrando que não há regularidade, a teoria não se adéqua. Para perfis que representam pessoas famosas ou instituições a análise já é outra, por se tratar de uma imagem que é símbolo faz com que exista um propósito para postá-lo, assim, o texto se torna refém da imagem porque há um tema em questão, uma necessidade de veracidade com o que se fala. Por exemplo, quando se coloca a imagem de um filme no perfil é esperado que se fale sobre o filme, ou se é uma foto de algum famoso como o Marcelo Tas, um dos perfis mais seguido no Brasil atualmente, pretende-se que ele poste sobre suas palestras, matérias no CQC e entre outras coisas. </p>
<p>            Por esses motivos é plausível que o texto seja refém da imagem quando existir um compromisso com seu leitor, como nos grandes meio de comunicação. Agora a falta de obrigação com a verdade que o Twitter e a internet como um todo têm, nos faz duvidar da imagem em questão, tornando-a não tão importante como o texto. E a própria forma flexível dessa rede, em que é cabível qualquer assunto a qualquer hora e por qualquer um, faz com que muitas vezes a imagem não seja de tanta importância. Por este motivo a teoria de Barthes é parcialmente aceita neste caso.</p>
<p align="center"> </p>
<p align="center"><span style="text-decoration:underline;"><strong>O Twitter e sua relação com as culturas</strong></span></p>
<p>               O Twitter, apesar de apresentar características fixas (como o número máximo de caracteres que podem ser postados, a disposição dos elementos na página), pode ocupar diversas posições em sociedades distintas, dependendo da forma como os membros dessas sociedades interpretam os signos fornecidos por esse meio de comunicação.</p>
<p>            Ao compararmos os Estados Unidos e o Brasil, por exemplo, percebemos que o Twitter possui um papel de destaque na sociedade norte-americana enquanto, na sociedade brasileira, configura-se como uma ferramenta de rede ainda não muito difundida. Isso porque a estrutura sígnica do Twitter se adéqua muito mais aos internautas dos Estados Unidos do que aos do Brasil. As razões que nos levaram a essas constatações serão analisadas a seguir.</p>
<div id="attachment_31" class="wp-caption aligncenter" style="width: 500px"><img class="size-full wp-image-31 " title="grafico7" src="http://twitterpelasemiotica.files.wordpress.com/2009/06/grafico7.jpg?w=490&#038;h=429" alt="Em pesquisa realizada pela Sysomos Inc, especialista em análise mídias sociais, os EUA estão em 1º lugar com maior número de usuários, enquanto o Brasil ocupa o 5º lugar." width="490" height="429" /><p class="wp-caption-text">Em pesquisa realizada pela Sysomos Inc, especialista em análises de mídias sociais, os EUA estão em 1º lugar com maior número de usuários, enquanto o Brasil ocupa o 5º lugar.</p></div>
<p>             A base do Twitter (e a particularidade que, provavelmente, tornou-o uma ferramenta tão conhecida) é sua estrutura leve, compacta, concisa e direta. São poucos caracteres que podem ser utilizados, há uma forma determinada de layout que varia de maneira muito limitada, a maioria dos comentários ficam expostos a qualquer usuário do Twitter, o que torna os posts mais impessoais.</p>
<p>            Toda essa estrutura foi bem-aceita pelos internautas dos Estados Unidos, visto que a sociedade norte-americana pode ser caracterizada por pragmatismo e praticidade, dois elementos propostos pelo Twitter. Além disso, os perfis desse meio de comunicação não expõem de forma invasiva a vida do usuário se essa não for sua intenção. Ainda que criem perfis na internet, não é finalidade dos norte-americanos, de forma genérica, submeter suas vidas ao escrutínio de qualquer um. Portanto, podemos atribuir a esses motivos a grande adesão dos norte-americanos (que representam, em porcentagem, a maioria dos usuários do Twitter) à nova ferramenta de rede.</p>
<p>            A sociedade brasileira, por sua vez, não aderiu de forma tão intensa à moda do Twitter, visto que os brasileiros, mais expansivos e gregários, preferem outras redes sociais da internet, como o Orkut. O Twitter não satisfaz, por assim dizer, a intenção dos brasileiros em criar vínculos com outros, em expor e compartilhar suas vidas pessoais. É por esse motivo que o Orkut, por exemplo, foi muito mais adotado no Brasil do que o Twitter.</p>
<p>            Utilizando a teoria semiótica, mais especificamente a corrente de análise da pragmática (que estuda o valor dos signos para os intérpretes, suas reações diante dos signos, as formas como são usados, etc.). Podemos analisar o comportamento destas duas culturas e suas relações com o Twitter partindo do pressuposto de que o valor sígnico deste site não é de grande importância para os brasileiros como é para os norte-americanos, uma vez que a relação com o microblog adapta-se mais aos valores americanos do que aos dos brasileiros, como especificado anteriormente. De acordo com a pragmática, o Twitter não tem grande valor aos intérpretes brasileiros porque a sua relação com os arranjos sígnicos não possui tanta identificação quanto os norte-americanos possuem; por isso desde a forma como se utiliza o microblog até suas reações diante do site são diferentes, o que resulta, por um lado, na indiferença de indivíduos de determinada cultura com essa rede, enquanto, por outro, em uma cultura distinta essa ferramenta desfruta de grande  número de adeptos.</p>
<p>            Concluímos, assim, através de nossa análise do Twitter pela semiótica, que este site de relacionamento é algo bastante inovador no âmbito da comunicação mundial e vem ganhando muita força. Apesar de, no Brasil e em alguns países, ainda não ser uma ferramenta tão utilizada quanto outras, o microblog está cada vez mais adquirindo seu espaço nos meios globais de comunicação, criando oportunidades a quem quiser experimentar o mundo deste passarinho.</p>
<p> </p>
<p align="center"><span style="text-decoration:underline;"><strong>Bibliografia</strong></span></p>
<p>BARTHES, Roland. “A mensagem fotográfica”. In: LIMA, Luiz Costa (org). Teoria da Cultura de Massa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.           </p>
<p>MARTINS, Ivan e LEAL, Renata (2009). “Sob o olhar do Twitter”. Época. São Paulo, nº565, pp. 96-102.</p>
<p>PIGNATARI, Décio. “Semiótica ou teoria dos signos”. Informação, Linguagem, Comunicação. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002. p 27-35.</p>
<p>SERRANO, Filipe, MARTINS, Rodrigo (2009).“Twitter: pronto para alçar voo”. O Estado de S. Paulo, Link. São Paulo, nº906, pp. 4-7.</p>
<p> </p>
<p><em>Sites</em> </p>
<p>CAMARGO, Raquel. &#8221;Pesquisa internacional revela importantes números sobre o Twitter&#8221;. Twitter Brasil. <a href="http://www.twitterbrasil.org/2009/06/12/pesquisa-internacional-revela-importantes-numeros-sobre-twitter/">http://www.twitterbrasil.org/2009/06/12/pesquisa-internacional-revela-importantes-numeros-sobre-twitter/</a>. Acessado em: 25/06/2009.</p>
<p>MESQUITA, Diego. “‘Um passarinho me contou…’ – A febre do Twitter”. Revista Brasileiros. <a rel="#someid0" href="http://www.revistabrasileiros.com.br/secoes/o-lado-b-da-noticia/noticias/527/" target="_new">http://www.revistabrasileiros.com.br/secoes/o-lado-b-da-noticia/noticias/527/</a>. Acessado em: 22/06/2009.</p>
<p>ROSA, Daniel e GRIPA, Marcelo. “Twitter é o maior comunicador do mundo, diz fundador”. AdNews. <a rel="#someid1" href="http://www.adnews.com.br/internet.php?id=90146" target="_new">http://www.adnews.com.br/internet.php?id=90146</a>. Acessado em: 22/06/2009.</p>
<p> </p></div>
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